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ativismo necessário, já não mais uma escolha

setembro 12, 2015

precisamos de mais plantas:

http://ornitorrinco.net.br/post/128778106388/precisamos-de-mais-plantas

selfie carranca

setembro 10, 2015

Paintbrush, 2015

pensar junto

agosto 27, 2015

Agora eu faço parte do time de colunistas do Ornitorrinco.

Começo dividindo meus pensamentos sobre

cabelos.

Um clique na foto acima leva até o meu texto.

Ainda pretendo falar sobre um monte de coisa.

me add troco likes brinq bjs até

coisas coloridas

agosto 7, 2015

desenho 3

julho 28, 2015

o espelho nos constrange

junho 18, 2015

Ninguém nunca quis a tristeza que lhe coube. Ninguém nunca suportou o baque do confronto consigo mesmo sem fabular uma fuga imediata. Ninguém nunca ficou parado na dor até fazê-la realizar o seu último espasmo. Ninguém além de mim.

Meus amigos me reprimiram a vida inteira, diziam que eu demorava demais naquilo que todo mundo evitava. Diziam Reage!, diziam Já deu!, diziam Você gosta de sofrer! Afinal, enfrentamos tanto perigo e nos machucamos tanto e precisamos nos esforçar tanto contra a correnteza fatal dos acontecimentos que merecemos sim o riso tatuado no rosto, a cabeça aberta no éter, o corpo transbordado na dança, a autoconfiança fictícia no pó. Acontece que nunca me convenceram do ótimo obrigatório nem os propagandistas da dissolução desesperada nem as indústrias da alegria. Nem muito menos as campanhas publicitárias de açúcares usados pra disfarçar as marcas, nos nossos corpos, da melancolia. O mistério não pode ser disfarçado nem embelezado. O mistério não pode ser rejuvenescido. Se você disfarça o mistério, ele se afasta um pouco mas logo volta sob o nome de ressaca. O mistério tem mais é que ser assumido como uma marca de nascença – mas não como um sinal charmoso que se traz na pele desde dentro do útero, e sim como a cicatriz formada lentamente na própria experiência de ser atirado no mundo, já que nascemos todos os dias – e isto dói. Uma cicatriz que perdeu a razão de ser mas que continua ali, escura, de onde só se extrai ausência.

Além do mais, quem aqui pode se considerar o dono do tempo pra medir o prazo correto das sensações e me obrigar à cura? Quem é a autoridade a me dizer quanto basta de lucidez?

E apesar dessa acusação de que sofro por abraçar o pior, eu nunca quis reforçar minhas dores com a química. Nunca tomei a dor com orgulho nem promovi euforias e ressacas. Eu quis, isto sim, a dor pura, sem fertilizantes. Eu quis assumir o que era meu. Se é a dor que me é própria, eu não vou falar de outra coisa. A dor sem conservantes. A dor sem trilha sonora. Pura como um contato com o divino. A dor legitimada. Que ela dê o quanto tiver pra dar. E acho que todo mundo deveria agir como eu. Quem sabe assim, no reflexo do enfrentamento, poderíamos nos levar à frente mais limpos, mais aceitativos, mais expurgados? Sobretudo menos prepotentes?

E assim, sozinho como sempre fui, sem disfarce, enquanto me via impelido pelos outros a buscar amparo na gargalhada a todo custo, sempre suspeitei desse mundo em que, sobre o êxtase de uma paixão recém-concluída, corre-se desesperado atrás de se atrelar um novo gozo, depois outro, depois outro, encobrindo todos os nossos furos para o fundo discreto das nossas camadas, borrando todos os sinais da nossa orfandade com maquiagens berrantes e companhias urgentes e aplicativos de sexo, até que toda amargura e solidão se concentrem num domingo inevitável, inflado de angústia e com horas contadas, mas já avizinhado de uma segunda-feira cheia de obrigações com as quais nos distrair.

Se eu me recuso a repetir esse movimento, é por honestidade e coerência.

“Não vamos deixar que os pontos cegos da nossa anatomia cumpram com seu constrangimento e nos agonize diante do nosso próprio vazio!”  – esta tem sido a lei. Como se aceitar o escuro e a agonia significasse se atirar pra nudez da morte, esta que disfarçamos a todo custo – como se aceitar o escuro não fosse, na verdade, aceitar a pureza da nossa metade vital mais inconclusa.

Pois essa postura diante da agonia eu nunca entendi, e foi por não entender que eu nunca aceitei: sempre paralisei diante de tudo o que não pude controlar. E, na paralisia, eu era um corpo que caía pra dentro. Eu olhava ao redor, via blocos de rua, via fantasias, via conversas interrompidas por gargalhadas e beijos, e parecia que só eu aceitava a queda. Só eu abria o meu peito e dizia sim ao não. E no entanto eu nunca me senti melhor por isso. Nunca me senti especial. Pelo contrário: vêm daí a minha fragilidade e a minha timidez. Vem daí o meu desencaixe.

Meu sonho sempre foi ser igual. Porque ser igual sempre me pareceu a melhor maneira: os outros sempre tão mais à vontade do que eu. Ser igual significava viver com facilidade, escorregar sem resignação pra dentro do mundo. Acontece que o meu corpo é pelo avesso e, constrangido pelo horror, eu nunca quis me expor. Nunca desejei mostrar a ninguém o espelho que ninguém queria ver. Nunca desejei ser rejeitado. Eu também queria colo. Eu também queria ser bonitinho. Eu também desviava da desolação e da vertigem em busca de acolhimento. Mas confesso que havia, dentro da desordem a que chamei de lar, cujas paredes eu mesmo ergui sobre o terreno vulnerável aonde me coube crescer, confesso que havia aí qualquer força, qualquer firmeza, virtudes só minhas. A isso que sou dei o nome de coragem.

desenhos 1, 2

junho 5, 2015

 

 

 

 

papel, caneta, marca-texto, cera, hidrocor, grafite, lápis de cor